A rotina de exercícios costuma ser associada a benefícios para o corpo, mas a presença de outras pessoas também pode influenciar a disposição para manter esse hábito. Treinar com amigos pode aproximar pessoas, estimular a prática regular de atividade física e oferecer apoio emocional. Pesquisas sobre relações sociais indicam que vínculos de qualidade estão relacionados a diferentes aspectos da saúde, incluindo bem-estar mental, funcionamento cardiovascular, cognição e longevidade.
“As relações sociais influenciam comportamentos, ajudam a reduzir o estresse e contribuem para uma melhor saúde física e emocional ao longo da vida. Por isso, devem ser consideradas um importante fator para a saúde e para o bem-estar físico e mental”, coloca o médico nutrólogo Nataniel Viuniski, membro do Conselho Para Assuntos Nutricionais da Herbalife.
Embora aplicativos e redes sociais ampliem as possibilidades de contato, manter muitas conexões não significa necessariamente ter relações próximas. O treino em grupo pode criar oportunidades de convivência e, ao mesmo tempo, ajudar na construção de uma rotina de atividade física.
Defensor da reorientação dos sistemas de saúde em direção a modelos focados em prevenção e acompanhamento contínuo, o médico cardiologista Hans Dohmann acumula uma sólida trajetória no setor. Sua experiência abrange a gestão municipal de saúde no Rio de Janeiro, a liderança na expansão da atenção primária e a atuação em diversas instituições públicas e privadas.
Por que treinar com amigos pode fazer diferença
As evidências reunidas em estudos científicos apontam benefícios associados à manutenção de relações sociais e ao apoio oferecido por amigos. Quando esses vínculos fazem parte de atividades físicas, podem ajudar na motivação e na continuidade dos exercícios.
1. Relações sociais estão associadas à longevidade
Uma meta-análise publicada na revista PLOS Medicine reuniu informações de mais de 300 mil pessoas. Os pesquisadores observaram que indivíduos com vínculos sociais mais fortes apresentaram uma probabilidade cerca de 50% maior de sobrevivência durante o período de acompanhamento dos estudos, que foi de 7,5 anos em média, em comparação com participantes que tinham relações sociais mais frágeis ou maior isolamento.
2. Amizades podem favorecer a saúde mental
Ter pessoas próximas para conversar, dividir experiências e buscar apoio pode contribuir para o equilíbrio emocional. Um estudo publicado no The Lancet apontou que pessoas mais conectadas socialmente e menos propensas a se sentir isoladas apresentam menor risco de desenvolver sintomas de depressão e ansiedade.
Dados acumulados pelo Harvard Study of Adult Development, apresentados no livro The Good Life, de Robert Waldinger e Marc Schulz, também destacam a importância dos relacionamentos próximos e de qualidade para a felicidade, a saúde e a satisfação com a vida.
3. Convivência pode beneficiar coração e imunidade
Os efeitos das relações sociais também alcançam aspectos biológicos. Uma revisão publicada no Sage Journals indicou que relacionamentos positivos podem influenciar mecanismos ligados à saúde. Entre as evidências analisadas estão respostas mais equilibradas ao estresse em pessoas com boas conexões sociais, algo que pode repercutir no sistema imunológico e na saúde cardiovascular.
“Uma das explicações é que o apoio emocional ajuda o organismo a lidar melhor com situações desafiadoras do dia a dia”, comenta Viuniski.
4. Vida social ajuda a manter o cérebro ativo
A interação com outras pessoas também está relacionada à saúde cognitiva. Estudos sugerem que uma vida social ativa pode ajudar a preservar funções cognitivas durante o envelhecimento. Por outro lado, a solidão tem sido associada a maior risco de demência.
Conversas, encontros e atividades coletivas envolvem memória, linguagem, atenção e raciocínio. Além disso, o convívio pode estimular uma rotina mais ativa, o que contribui para manter diferentes estímulos ao longo do processo de envelhecimento.
5. Amigos podem aumentar a motivação para exercícios
O apoio social é apontado como um fator relacionado à adesão à atividade física. Ter companhia para treinar pode facilitar a manutenção de horários, reduzir a sensação de isolamento durante os exercícios e criar um compromisso compartilhado.
“O apoio social é um importante fator para manter hábitos saudáveis. Participar de grupos de atividade física, comunidades de bem-estar ou iniciativas coletivas pode aumentar a motivação e a adesão a uma rotina mais saudável”, finaliza o nutrólogo.
Treinar com amigos, portanto, pode reunir dois elementos relevantes para a saúde: movimento e convivência. A prática em grupo não substitui cuidados médicos ou acompanhamento profissional quando necessário, mas pode tornar a rotina de exercícios mais consistente e socialmente estimulante.
Fonte: Terra
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/mulheres-jovens-participando-da-aula-de-spinning_23987901.htm




