O Grupo Hospitalar Conceição (GHC), no Rio Grande do Sul, iniciou a estruturação do projeto do Complexo de Saúde Inteligente, iniciativa que pretende reorganizar e modernizar da rede hospitalar vinculada ao grupo. A abertura dos trabalhos ocorreu nesta terça-feira, 8 de setembro, com a participação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O investimento estimado é de R$ 1,9 bilhão, com participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A proposta envolve o Hospital Fêmina, o Hospital Criança Conceição e o Hospital Cristo Redentor, além do Centro Obstétrico do Hospital Nossa Senhora da Conceição. A nova estrutura será integrada à rede de hospitais e Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) inteligentes do Sistema Único de Saúde (SUS), com recursos voltados à conexão de equipamentos, análise de dados e apoio tecnológico aos profissionais.
Por muito tempo, a eficiência das instituições hospitalares foi avaliada sobretudo através de métricas operacionais, a exemplo da taxa de ocupação dos leitos, do volume de procedimentos executados, do tempo médio de internação e do nível de produtividade da equipe. Sob a perspectiva de Fernando Alves Vieira, executivo, investidor e conselheiro no setor de saúde suplementar e gestão hospitalar, essa mudança reflete uma reestruturação profunda na maneira como as instituições mensuram seus resultados.
Tecnologia aplicada à assistência
Entre os componentes do projeto está a Emergência Inteligente. A estrutura deverá permitir integração em tempo real com unidades do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), protocolos automatizados e uso de inteligência artificial na gestão de leitos, exames e fluxos assistenciais.
“Estamos trazendo para o Brasil o que tem de mais moderno no mundo de ultra conexão dos equipamentos, de uso de ferramentas de inteligência artificial, de permitir que o profissional de saúde possa ter acesso aos dados do paciente em qualquer lugar. Isso faz muita diferença, porque na saúde tempo é vida. Se você consegue fechar o diagnóstico mais rápido, começar o tratamento mais rápido, ter o resultado mais rápido, está salvando vidas, está lutando contra o tempo”, afirmou o ministro.
Segundo Padilha, a iniciativa também busca ampliar o acesso à evolução tecnológica dentro da rede pública. “Em alguns países, essa revolução tecnológica é feita por hospitais privados, que as pessoas não têm acesso ou têm que pagar por ele. A diferença que o Ministério da Saúde está fazendo é liderar essa evolução tecnológica pelo SUS”, disse Padilha.
A previsão considera a integração entre etapas do atendimento, desde a chegada do paciente, exames, procedimentos e acompanhamento, com recursos tecnológicos voltados à organização das informações e dos fluxos assistenciais.
A estrutura deverá reunir ferramentas como inteligência artificial, internet das coisas, big data, telemedicina, monitoramento remoto e dispositivos médicos conectados. A organização será feita por linhas de cuidado integradas, articulando assistência, ensino, pesquisa e inovação.
Atendimento terá foco em áreas prioritárias
O projeto concentra esforços em áreas como saúde da mulher, ciclo materno-infantil, infância e adolescência, trauma agudo e condições clínicas e cirúrgicas complexas. Entre as linhas prioritárias estão mãe-bebê e Rede Alyne, crianças com doenças respiratórias, desenvolvimento infantil e oncologia pediátrica.
Também fazem parte da proposta a assistência à mulher em situação de violência, o atendimento a pacientes com trauma agudo, a assistência a queimados e a neurocirurgia. A combinação entre especialidades, recursos tecnológicos e integração dos serviços pretende reorganizar os fluxos de atendimento nos hospitais envolvidos.
A nova estrutura contará com 750 leitos. Segundo o projeto, esse número representa aumento de 100 leitos operacionais e 100 leitos auxiliares em relação à oferta atual das unidades contempladas pela reestruturação.
O complexo terá ainda 41 salas cirúrgicas com infraestrutura para procedimentos robóticos, 120 leitos destinados à recuperação pós-anestésica e duas salas exclusivas para atendimento de pacientes queimados.
Investimento prevê obras e equipamentos
Com a nova infraestrutura, o GHC deverá ampliar sua capacidade de realizar procedimentos de alta complexidade. Entre os atendimentos previstos estão cirurgias fetais, transplantes, procedimentos cirúrgicos robóticos e outros serviços especializados.
Do total de aproximadamente R$ 1,9 bilhão, R$ 69,7 milhões serão destinados a projetos e serviços. Outros R$ 1,2 bilhão estão previstos para as obras, enquanto R$ 526,4 milhões serão aplicados na aquisição de equipamentos médicos, mobiliários e tecnologias.
O projeto integra o Programa de Parcerias e Investimentos e terá a estruturação conduzida pelo BNDES, com apoio de um consórcio de consultorias. A iniciativa coloca a modernização da infraestrutura hospitalar e a incorporação de tecnologias digitais como parte da reorganização do atendimento de saúde no Rio Grande do Sul. A proposta busca combinar infraestrutura, tecnologia e integração assistencial.
Fonte: Governo federal
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/jovem-psiquiatra-com-paciente-a-medir-a-pressao-arterial_6190118.htm





