O Ministério da Saúde entrou em contato com pesquisadores dos EUA para tentar viabilizar a participação do influenciador Lito Sousa em estudos experimentais sobre a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). A condição é rara, tem progressão rápida e não possui cura.
A informação foi divulgada nesta terça-feira (25) pelo repórter Victor Ferreira, no Estúdio i, da GloboNews. Foram feitos contatos para tentar tornar possível a participação de Lito em uma das pesquisas em andamento.
“Apoiamos a busca de centros de pesquisa e estudos sobre a doença, assim como formalizamos a solicitação da inclusão de Lito na fase inicial dos testes do único estudo clínico ativo identificado até o momento, em Harvard”, escreveu Padilha no X.
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Lito está em processo de triagem
Os responsáveis pela pesquisa informaram que Lito foi colocado em uma lista para triagem. Isso não significa que ele já tenha sido incluído no tratamento experimental. A participação depende dos critérios definidos pelo protocolo e pelas autoridades regulatórias dos Estados Unidos.
“Os responsáveis pelo estudo informaram que Lito foi incluído na lista para a triagem, mas tudo está sujeito ao cronograma estabelecido pelo protocolo da pesquisa e à FDA (Food and Drug Administration), órgão dos Estados Unidos com papel semelhante ao da Anvisa”, afirmou o ministro da Saúde.
Segundo dados preliminares do Ministério da Saúde, foram registradas 1,6 mil notificações de casos suspeitos de Creutzfeldt-Jakob no Brasil nos últimos dez anos.
A família também procurou o Broad Institute, ligado a Harvard e ao MIT. O perfil de Lito afirmou que a alternativa apresentada era a “participação no estudo no grupo de observação, sem receber a medicação”. A família aguardava uma possibilidade de participação no tratamento experimental.
Entenda os estudos sobre a doença
Os estudos aparecem como possíveis caminhos, o ION717, conduzido pela farmacêutica Ionis Pharmaceuticals, e o PRiSM, liderado pelo Broad Institute. As pesquisas miram o gene PRNP, responsável pela produção da proteína príon normal, chamada PrP.
A estratégia busca reduzir a quantidade dessa proteína, com a expectativa de diminuir o acúmulo de proteínas malformadas.
O ION717 usa uma tecnologia chamada ASO, que se liga ao RNA de PRNP para reduzir a produção da proteína. O medicamento é aplicado por punção lombar, diretamente no líquido que banha o cérebro e a medula espinhal.
O estudo é o mais avançado. O primeiro paciente recebeu o medicamento em janeiro de 2024. Em março deste ano, a pesquisa foi ampliada com um grupo de cerca de 20 pacientes. Dados preliminares apontaram sinais de segurança e indícios de interação com o alvo, mas não permitem afirmar segurança ou eficácia.
Já o PRiSM utiliza siRNA, ou RNA de interferência. A fase 1 começou em abril deste ano, com 15 voluntários, para avaliar a segurança da substância.
Critérios limitam entrada em pesquisas
Estudos clínicos seguem protocolos definidos antes do início. Esses documentos estabelecem o número de participantes, a divisão dos grupos e os critérios de inclusão e exclusão.
“O paciente tem que ter todos os critérios de inclusão e de exclusão que já foram aprovados pelas instituições regulatórias para aquele estudo”, explica Bruno Solano, médico pesquisador do IDOR Ciência Pioneira e Fiocruz, especialista em terapias avançadas.
Uma das possibilidades para Lito foi o grupo de observação do PRiSM. Nesse modelo, participantes passam por exames e acompanhamento, mas não recebem a substância experimental. A família informou que não seguiria nessa condição, pois teria de permanecer nos Estados Unidos sem garantia de tratamento.
Risco e benefício ainda estão em avaliação
Os dois tratamentos estão em fases iniciais e não tiveram segurança e eficácia comprovadas. Outro desafio é fazer a substância alcançar diferentes áreas do cérebro, já que a doença se espalha pelo órgão.
Para Bruno Solano, os testes precisam indicar uma dose que reduza a proteína sem comprometer sua função no organismo.
Segundo a família, Lito já apresenta perda de visão e mobilidade e necessita de cuidados em casa.
“A questão que temos aqui é que é uma doença letal e muito rápida. Quando a gente tem uma doença que tem uma evolução clínica inexorável, que hoje não tem cura, na medicina vai ser sempre a análise de risco-benefício”, explica Solano.
Fonte: G1
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/medico-ajuda-homem-idoso-triste-para-apoio-de-saude-e-aconselhamento-em-casa-de-repouso-paciente-idoso-e-idoso-deprimido-com-enfermeira-chorando-e-empatia-por-depressao-problema-psicologico-e-ansiedade_43151794.htm




