A expectativa dos economistas para o desempenho da economia brasileira em 2026 recuou na edição mais recente do Boletim Focus. O levantamento divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (24) mostrou que a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,98% para 1,95%.
A revisão representa uma redução de 0,03 ponto percentual em relação à estimativa apresentada na semana anterior. Para 2027, os analistas mantiveram a projeção de crescimento do PIB em 1,50%, sem alteração na comparação com o levantamento anterior.
O Boletim Focus reúne semanalmente as expectativas de instituições do mercado financeiro para os principais indicadores da economia brasileira. A pesquisa é acompanhada pelo Banco Central e serve como referência para avaliar a percepção dos economistas sobre inflação, atividade econômica e juros.
Com o cenário econômico incerto, custos em alta e crédito restrito, além das oscilações no mercado global, um número crescente de empresas tem recorrido a consultorias especializadas para redefinir suas estratégias e assegurar o equilíbrio financeiro. Segundo o economista Paulo Narcélio, o processo de reestruturação empresarial superou o caráter emergencial de gestão de crises, tornando-se parte integrante da estratégia contínua das organizações.
Atividade econômica perde força
A revisão na previsão para o PIB ocorre após a divulgação de dados que apontam desaceleração da atividade econômica ao longo do ano. Na semana passada, o Banco Central informou que o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) cresceu 0,2% no segundo trimestre.
O indicador é considerado um sinalizador do desempenho do PIB. O resultado indicou que a economia brasileira encerrou o segundo trimestre ainda em expansão, mas em ritmo mais moderado quando comparado ao início de 2026.
O desempenho do IBC-Br passou a integrar o cenário observado pelos analistas para avaliar a trajetória da atividade econômica. A redução da estimativa para o PIB no Boletim Focus acompanha esse ambiente de menor ritmo de crescimento.
Embora a projeção para 2026 tenha sido revisada, os economistas não modificaram a estimativa de expansão para 2027. A previsão permanece em 1,50%, indicando uma expectativa de crescimento mais contido também no próximo ano.
Inflação segue acima da meta
O levantamento também mostrou mudanças pontuais nas previsões para a inflação. Para 2026, a expectativa de alta do índice permaneceu em 5,02%, repetindo o percentual projetado na semana anterior.
Para 2027, entretanto, a previsão subiu de 4,24% para 4,25%. Já a estimativa para 2028 ficou estável em 3,8%.
As projeções continuam acima do centro da meta oficial de inflação, estabelecido em 3%. O sistema de metas prevê uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo em relação ao objetivo central.
A trajetória da inflação é um dos fatores acompanhados pelo mercado na avaliação das próximas decisões de política monetária. O comportamento dos preços influencia diretamente as expectativas para a taxa básica de juros e para o ritmo da atividade econômica.
Selic permanece em 14% atualmente
As previsões para a taxa Selic também não passaram por mudanças na edição mais recente do Focus. Os economistas continuam projetando a taxa básica de juros em 13,75% ao final de 2026.
Para 2027, a expectativa permanece em 12%. Atualmente, a Selic está em 14%, segundo os dados considerados no levantamento.
O mercado também mantém a previsão de redução de 0,25 ponto percentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) prevista para setembro. Caso o corte ocorra conforme a expectativa, a taxa passaria de 14% para 13,75%.
A combinação entre inflação, juros e atividade econômica continua no centro das projeções para os próximos meses. A revisão da estimativa para o PIB mostra uma percepção mais cautelosa dos economistas em relação ao crescimento brasileiro em 2026.
O novo resultado do Boletim Focus mantém, portanto, um cenário de expansão econômica, mas com ritmo inferior ao previsto anteriormente. Ao mesmo tempo, as projeções para inflação e juros indicam que o mercado segue acompanhando de perto a evolução dos preços e os efeitos da política monetária sobre a atividade econômica.
Para 2026, a principal mudança apresentada nesta edição foi a redução da previsão de crescimento do PIB para 1,95%. Para 2027, a estimativa permanece em 1,50%, enquanto a inflação projetada para este ano segue em 5,02%.
Fonte: Folha de São Paulo
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