A hipertensão arterial continua entre os principais desafios da saúde pública no Brasil. Estimativas apontam que mais de 50 milhões de brasileiros com idade entre 30 e 79 anos convivem com a doença, muitas vezes sem saber, já que ela costuma evoluir de forma silenciosa. Para ampliar a conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento médico, uma ação gratuita foi realizada na manhã deste sábado (9), na Praia de Jatiúca, em Maceió.
A iniciativa ocorreu nas proximidades do posto 7 da orla e reuniu serviços voltados à população, incluindo aferição da pressão arterial, orientações sobre hábitos saudáveis e atividades de lazer. O objetivo foi aproximar informações de saúde dos frequentadores da praia e incentivar o cuidado preventivo.
Os números reforçam a dimensão do problema. Conforme dados do Ministério da Saúde, 388 pessoas morrem diariamente no Brasil em consequência da hipertensão. Apesar da relevância da doença, em Alagoas não há um levantamento preciso sobre a quantidade de pessoas diagnosticadas, já que a hipertensão não integra a lista de doenças de notificação compulsória, segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).
Doença costuma ser descoberta apenas após complicações
De acordo com o cardiologista José Leitão, a principal dificuldade no combate à hipertensão está justamente na ausência de sintomas durante boa parte da evolução da doença. Essa característica faz com que muitos pacientes procurem atendimento somente após o surgimento de complicações graves.
“A hipertensão muitas vezes não apresenta sintomas e muitas pessoas só descobrem quando já existe alguma complicação. Levar esse debate para espaços públicos e aproximar a população de orientações simples de prevenção é uma forma de incentivar o autocuidado no dia a dia”, afirmou.
Segundo o especialista, campanhas realizadas em locais de grande circulação ajudam a estimular o monitoramento da pressão arterial e tornam mais acessíveis informações importantes sobre prevenção.
Entre os participantes da ação estava o vendedor Luciano da Silva Lopes. Ele contou que decidiu aferir a pressão após perceber a movimentação da equipe na orla e acabou recebendo um alerta sobre sua condição de saúde.
“Voltei a cuidar da saúde, passei aqui e vi a ação. Foi quando me chamaram para verificar a minha pressão e vi que não está nada bem”, comentou.
Luciano também ressaltou que iniciativas desse tipo incentivam mudanças de comportamento, especialmente entre pessoas que deixam o acompanhamento médico em segundo plano.
“Geralmente a gente começa a cuidar mais da saúde depois dos quarenta”, disse.
Mudanças de hábitos ajudam a reduzir os riscos
Além de favorecer o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, a hipertensão está diretamente relacionada ao aumento dos casos de infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Dados do Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil apontam que um AVC acontece a cada sete minutos no Brasil.
Outro levantamento do Ministério da Saúde mostra que os casos de hipertensão registrados no país cresceram 31% entre 2006 e 2024, indicando uma expansão contínua da doença ao longo dos últimos anos.
José Leitão explica que fatores hereditários aumentam a predisposição para desenvolver hipertensão, mas destaca que os hábitos de vida exercem papel decisivo no controle da pressão arterial.
“Reduzir o consumo excessivo de sal, evitar cigarro e álcool em excesso, praticar atividade física regularmente e controlar o estresse são medidas fundamentais. Outro ponto importante é aferir a pressão com frequência, principalmente após os 30 anos ou em pessoas com histórico familiar”, orientou.
O médico observa que manter uma alimentação equilibrada, evitar o sedentarismo e realizar consultas periódicas são atitudes que podem contribuir para o diagnóstico precoce e reduzir o risco de complicações.
Embora a doença normalmente não provoque manifestações perceptíveis nas fases iniciais, alguns sinais podem surgir quando o quadro já está mais avançado. Entre eles estão dores de cabeça frequentes, tontura, falta de ar e visão embaçada.
Ainda assim, especialistas alertam que a presença desses sintomas não deve ser aguardada para que a pessoa procure avaliação médica ou passe a monitorar a pressão arterial regularmente.
“O grande perigo é a ausência de sintomas, que faz muita gente negligenciar o acompanhamento médico”, concluiu.
A ação realizada na orla de Maceió reforçou justamente essa necessidade de prevenção contínua. Ao oferecer aferição da pressão arterial e orientações gratuitas em um espaço público, a iniciativa buscou estimular o diagnóstico precoce e conscientizar a população sobre uma doença que segue avançando no Brasil e permanece entre as principais causas de complicações cardiovasculares e mortes no país.
Fonte: G1
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/casal-sorridente-senior-com-equipamento-de-ginastica-na-praia-e-espaco-de-copia_10296314.htm




