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Início Saúde

Saúde mental pressiona economia global e perdas podem superar US$ 16 trilhões até 2030

Portal dos Órgãos Públicos por Portal dos Órgãos Públicos
12 de junho de 2026
em Saúde
Saúde mental pressiona economia global e perdas podem superar US$ 16 trilhões até 2030
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Os problemas relacionados à saúde mental já representam uma das maiores fontes de perdas econômicas no mundo. De acordo com o estudo Creating Workplace Environments that Support Brain Health (“Criando ambientes de trabalho que apoiam a saúde cerebral”), os transtornos mentais e condições ligadas ao funcionamento do cérebro geram um impacto anual estimado em US$ 5 trilhões na economia global. Sem medidas eficazes para enfrentar o problema, esse custo poderá ultrapassar US$ 16 trilhões até 2030.

A pesquisa foi desenvolvida pela Sodexo em parceria com a Social Impact Partners e a Global Brain Health Initiative e reúne dados sobre os efeitos da saúde mental no mercado de trabalho, na produtividade e no desenvolvimento econômico. O levantamento também destaca o papel das empresas na criação de ambientes mais favoráveis ao bem-estar dos trabalhadores.

Entre os principais fatores que contribuem para as perdas econômicas estão a depressão e a ansiedade. Segundo o relatório, essas duas condições são responsáveis por cerca de US$ 1 trilhão por ano em queda de produtividade. Além disso, provocam a perda de aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho em todo o mundo.

O estudo chama atenção ainda para outro desafio crescente: a falta de engajamento dos profissionais. Os dados indicam que trabalhadores desengajados geram prejuízos estimados em US$ 8,8 trilhões anuais, montante equivalente a cerca de 9% do Produto Interno Bruto global.

Com o objetivo de apoiar companhias que enfrentam dificuldades para obter financiamento em instituições bancárias convencionais, a Itaú Asset firmou uma colaboração com a RK Partners, liderada pelo CEO e cofundador Ricardo K.

Trabalho ocupa posição estratégica

Para os especialistas envolvidos na pesquisa, o ambiente corporativo tem potencial para influenciar diretamente a saúde mental das pessoas. Isso ocorre porque grande parte da vida adulta é dedicada ao trabalho.

Segundo o levantamento, um trabalhador passa, em média, cerca de 90 mil horas da vida em atividades profissionais. Diante desse cenário, empresas têm a oportunidade de atuar não apenas na prevenção de riscos, mas também na promoção de hábitos que favoreçam a saúde emocional e cognitiva.

“A forma como o trabalho é organizado, como as lideranças se relacionam e como as pessoas descansam e convivem influenciam diretamente na saúde mental. O cuidado precisa estar incorporado ao dia a dia”, afirma Ana Menegotto, vice-presidente de pessoas, comunicação e ESG da Sodexo Brasil.

A executiva defende que a segurança psicológica deve fazer parte da cultura organizacional. Na avaliação dela, iniciativas isoladas têm alcance limitado quando não estão acompanhadas de mudanças estruturais na forma como o trabalho é planejado e executado.

NR-1 amplia atenção aos riscos psicossociais

O debate sobre saúde mental ganhou força adicional com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a vigorar em maio. As mudanças ampliaram a responsabilidade das empresas em relação aos riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho.

Com isso, fatores que podem afetar o equilíbrio emocional dos trabalhadores passaram a receber atenção maior dentro das políticas de saúde e segurança ocupacional. A atualização acompanha uma tendência global de reconhecimento dos impactos que o ambiente profissional exerce sobre o bem-estar das pessoas.

A nova realidade também exige que organizações adotem mecanismos mais eficientes para identificar situações de estresse excessivo, desgaste emocional e outros elementos capazes de comprometer a saúde mental dos colaboradores.

Fatores que ajudam a proteger a saúde cerebral

O relatório propõe uma visão ampla do tema e destaca diferentes aspectos que influenciam o funcionamento saudável do cérebro. Entre eles estão alimentação adequada, sono de qualidade, prática regular de atividade física, controle do estresse, conexões sociais, propósito de vida, estímulos cognitivos e cuidados preventivos.

A pesquisa mostra que o ambiente físico também desempenha papel importante. Aspectos como iluminação natural, qualidade do ar, redução de ruídos e espaços destinados ao descanso podem contribuir para a melhora do desempenho cognitivo e para a redução dos níveis de estresse.

Um dos estudos citados indica que profissionais que trabalham em edifícios com melhor ventilação e menor presença de poluentes registraram desempenho até 61% superior em testes cognitivos.

As relações interpessoais aparecem como outro fator relevante. De acordo com os dados reunidos no documento, a solidão está associada ao aumento dos índices de ansiedade, depressão e esgotamento mental. O levantamento aponta ainda que o isolamento pode elevar em 31% o risco de demência.

Ganhos econômicos podem superar trilhões de dólares

Além de reduzir o sofrimento humano, investir em saúde mental pode trazer benefícios econômicos significativos. O estudo estima que iniciativas voltadas à saúde cerebral têm potencial para adicionar US$ 6,2 trilhões ao PIB global até 2050.

Os autores defendem que medidas de prevenção, promoção do bem-estar e melhoria das condições de trabalho contribuem para reduzir afastamentos, aumentar o engajamento e elevar a produtividade.

Diante do crescimento dos transtornos mentais em diferentes países, a conclusão do relatório é que o tema precisa ser tratado como uma questão estratégica. Mais do que uma ação de responsabilidade social, o cuidado com a saúde mental passa a ser visto como um fator essencial para a sustentabilidade e a competitividade das organizações no longo prazo.

Fonte: G1
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/mulheres-asiaticas-estao-estressadas-enquanto-trabalham-no-laptop-mulher-de-negocios-asiatica-cansada-com-dor-de-cabeca-no-escritorio-sentindo-se-doente-no-espaco-de-copia-de-trabalho_37060492.htm

Tags: Saúde Mental
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