O Corpo de Bombeiros Militar de Rondônia (CBMRO) passou a ser comandado, pela primeira vez, por uma mulher desde sua criação, em 1998. A coronel Daniele Cristina Lima Ferreira assumiu o comando-geral da instituição após nomeação oficializada por decreto do governador Marcos Rocha, publicado em 24 de março de 2026.
A mudança ocorre no mesmo dia em que o então comandante-geral, coronel Nivaldo de Azevedo Ferreira, deixou o cargo a pedido. Ele ocupava a função desde 2021 e faz parte do grupo de 182 militares que participaram da criação da corporação no estado, estruturada a partir da Polícia Militar no fim da década de 1990.
A chegada de Daniele ao posto máximo da instituição representa um marco na trajetória do CBMRO. A substituição, além de administrativa, tem peso simbólico ao consolidar a presença feminina em posições de liderança dentro das forças de segurança pública.
Carreira iniciada na primeira turma com mulheres
A trajetória de Daniele Cristina na corporação começou em 2002, quando ingressou como soldado na primeira turma que contou com mulheres. À época, a presença feminina ainda era limitada dentro da estrutura militar, o que tornava o ingresso um passo relevante no processo de abertura institucional.
Em 2006, ela foi aprovada em concurso para oficial, iniciando uma nova fase na carreira. Desde então, acumulou funções em diferentes áreas, tanto operacionais quanto administrativas, o que contribuiu para sua progressão na hierarquia.
Ao longo de mais de duas décadas de serviço, atuou em diversas frentes dentro do Corpo de Bombeiros. Entre as experiências, estão o comando de unidades no interior de Rondônia, como em Guajará-Mirim, e a atuação na área educacional, incluindo a direção do Colégio Tiradentes.
Em um relato sobre o início de sua trajetória, ela descreveu o contexto em que decidiu prestar concurso público enquanto conciliava estudos e necessidade de trabalho. “Em 2020, comecei psicologia na Universidade Federal de Rondônia, e em 2002, por força de ter que trabalhar, eu não conseguiria só me manter na faculdade, eu estava pensando: ‘vou tentar concursos e tentar conciliar com a faculdade’. E foi nessa tentativa, o bombeiro foi também a coincidência, o primeiro concurso que abriu”.
Crescimento da participação feminina
A presença de mulheres no Corpo de Bombeiros de Rondônia cresceu ao longo dos anos. Atualmente, mais de 100 mulheres integram a corporação, um número que contrasta com o cenário encontrado no início dos anos 2000, quando elas eram minoria.
A nomeação de Daniele reforça esse processo de ampliação de espaço. Ao assumir o comando-geral, ela destaca o significado coletivo da conquista. “A chegada de uma mulher ao comando representa mais do que uma conquista individual. É um símbolo de mudança. Sinto-me muito privilegiada em relação a isso”.
A promoção ao posto de coronel, em 2022, já havia representado outro momento histórico. Na ocasião, Daniele se tornou a primeira mulher a atingir esse nível na corporação em Rondônia, consolidando uma carreira marcada por ascensão progressiva e diversificação de funções.
Formação e experiência operacional
Além da atuação em cargos de gestão, a nova comandante também possui formação técnica que amplia sua atuação operacional. Daniele é piloto de avião e helicóptero, o que permite participação em missões estratégicas, especialmente em um estado com grandes distâncias e desafios logísticos.
Sua experiência inclui ainda funções como gestora e educadora, reforçando um perfil profissional voltado tanto para a liderança quanto para a formação de novos integrantes da corporação. Esse conjunto de qualificações foi determinante para sua indicação ao comando-geral.
Desde a criação do CBMRO, há 28 anos, a instituição não havia registrado uma mulher no posto máximo. A mudança ocorre em um cenário de transformação gradual nas estruturas de comando das forças de segurança, com maior presença feminina em diferentes níveis hierárquicos.
Impacto da mudança no comando
A posse de Daniele Cristina representa um ponto de mudança na história do Corpo de Bombeiros de Rondônia. O fato de uma mulher assumir o comando-geral pela primeira vez tende a influenciar a cultura interna da corporação e ampliar o debate sobre diversidade em cargos estratégicos.
A trajetória da coronel passa a servir como referência para outras mulheres que desejam ingressar na carreira militar. A presença feminina em funções de liderança ainda é minoritária, mas tem avançado nos últimos anos em diferentes estados brasileiros.
Ao assumir o comando, Daniele integra um movimento mais amplo de transformação institucional. A mudança, embora pontual, indica uma abertura maior para novos perfis de liderança dentro das forças de segurança.
Com a nomeação, o Corpo de Bombeiros Militar de Rondônia registra um capítulo inédito em sua história. A expectativa é que a nova gestão mantenha a continuidade das atividades operacionais e administrativas da corporação, agora sob uma liderança que simboliza uma nova etapa na instituição.
Fonte: G1
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