A educação está entre os temas abordados nos planos de governo dos candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026. As propostas apresentam diferentes caminhos para áreas como alfabetização, ensino técnico, formação de professores e organização da política educacional federal.
O desempenho dos estudantes brasileiros no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aparece como parte do contexto desse debate. Na edição de 2022, menos da metade, 49%, dos estudantes brasileiros de 15 anos demonstraram habilidades de interpretação de texto.
Os programas analisados apresentam pontos de aproximação, especialmente na defesa da alfabetização na idade certa e da ampliação da educação profissional. As diferenças aparecem nas metodologias de alfabetização, na formação docente, no modelo de gestão escolar e nas atribuições do Ministério da Educação.
Alfabetização está entre as prioridades
Flávio Bolsonaro (PL) e Renan Santos (Missão) defendem o método fônico para a alfabetização. A proposta parte do ensino dos fonemas, ou seja, dos sons associados às letras.
Elementos relacionados a essa metodologia fizeram parte da Política Nacional de Alfabetização, instituída em 2019 e revogada em 2023. O modelo recebeu críticas de especialistas, que defendem a combinação de diferentes técnicas de alfabetização de acordo com as necessidades dos estudantes.
O plano de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prevê a continuidade do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, criado em 2023. A política reúne União, estados e municípios com o objetivo de garantir a alfabetização até o final do segundo ano do ensino fundamental. O programa de governo estabelece a meta de alcançar 80% das crianças alfabetizadas na idade certa em um eventual novo mandato.
Lula também propõe ações para combater o analfabetismo entre adultos e medidas de recomposição da aprendizagem nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.
Romeu Zema (Novo) defende a revisão da Base Nacional Comum Curricular, com prioridade para alfabetização, além do fortalecimento do Sistema de Avaliação da Educação Básica. Ronaldo Caiado (PSD) propõe alfabetização até o segundo ano e um pacto nacional com formação, materiais, avaliação diagnóstica e tutoria. Augusto Cury (Avante) menciona a “alfabetização na idade certa”, sem detalhar uma metodologia específica.
Ensino técnico ganha espaço nos programas
A educação profissional também aparece em diferentes planos. Lula propõe ampliar os institutos federais, especialmente no interior, em periferias urbanas e municípios com baixa oferta de cursos técnicos. A proposta inclui formação para áreas relacionadas a novas tecnologias e à indústria verde.
Augusto Cury defende a integração do ensino técnico ao ensino médio e maior aproximação entre escolas e empresas. Seu programa inclui empreendedorismo, educação financeira, liderança, cooperativismo e inteligência artificial.
Flávio Bolsonaro propõe parcerias entre instituições de ensino técnico e setor produtivo, inclusive com financiamento de bolsas. Renan Santos defende que o ensino superior tenha maior relação com o mercado de trabalho e prevê prioridade para áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
Caiado propõe parcerias entre institutos federais, redes estaduais, empresas e Sistema S. Zema também prevê ampliar cursos técnicos e profissionalizantes, com participação do setor privado e do Sistema S.
Formação docente e estrutura do MEC
A valorização e a formação dos professores aparecem de maneiras diferentes nos programas. Zema defende maior preparação prática nas licenciaturas, residências pedagógicas e critérios de qualidade para a formação docente.
Caiado propõe fortalecer as licenciaturas, ampliar a prática supervisionada e oferecer bolsas para estudantes interessados na carreira. Lula prevê a manutenção do Piso Nacional do Magistério, além do Pé-de-Meia Licenciaturas, com bolsa de R$ 1.050, e da Bolsa Mais Professores, no valor mensal de R$ 2.100.
Augusto Cury fala em melhores condições de trabalho e formação continuada. Flávio Bolsonaro defende formação baseada em evidências científicas. O plano de Renan Santos não apresenta propostas específicas para formação de professores.
Os programas também tratam da organização do governo federal. Zema e Flávio Bolsonaro propõem transferir atribuições do ensino superior para o Ministério da Ciência e Tecnologia, deixando o MEC concentrado na educação básica e na formação docente. Renan Santos, por sua vez, defende a fusão dos ministérios da Educação e da Cultura.
As escolas cívico-militares também aparecem nos planos de Flávio Bolsonaro, Renan Santos e Zema, com propostas diferentes para sua aplicação. O tema se soma às discussões sobre gestão escolar, disciplina, participação das famílias e responsabilidades do poder público na educação.
Fonte: DW
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/vista-superior-do-bone-academico-com-material-escolar-e-maca_11152998.htm




