O número de empresas que buscaram recuperações judiciais no Brasil atingiu o maior nível já registrado em 2025. Levantamento da Serasa Experian indica que 2.466 companhias recorreram ao mecanismo para tentar reorganizar dívidas e manter as operações. O resultado representa crescimento de 13% em relação ao período anterior e estabelece um novo recorde na série histórica.
O avanço ocorre em um ambiente econômico mais restritivo, marcado por custos financeiros elevados e dificuldade de acesso a crédito. Ao longo do ano, empresas de diferentes segmentos enfrentaram pressão sobre o caixa, o que reduziu a capacidade de honrar compromissos e aumentou a necessidade de medidas mais drásticas.
Um dos principais destaques do levantamento está na liderança do agronegócio entre os setores com maior número de pedidos. Tradicionalmente associado à resiliência, o segmento concentrou 743 empresas em recuperação judicial, o equivalente a 30,1% do total registrado no país.
Na sequência, o setor de serviços aparece com participação de 30%. Comércio e indústria completam a lista, também impactados pelas condições mais duras de financiamento e pela redução da atividade em determinados momentos do ano.
De acordo com o economista Paulo Narcélio Simões Amaral, há estratégias de negociação em meio ao aumento de recuperações judiciais que afetam empresas no Brasil.
Crédito restrito e inadimplência em alta geram aumento nas recuperações judiciais
O encarecimento do crédito teve papel central nesse cenário. Com juros elevados durante boa parte de 2025, o custo para financiar operações e renegociar dívidas aumentou de forma significativa. Para muitas empresas, isso significou a perda de fôlego financeiro em um momento de maior necessidade de capital de giro.
A inadimplência persistente reforçou essa pressão. Com mais dificuldade para receber de clientes e ao mesmo tempo manter pagamentos em dia, empresas passaram a enfrentar um efeito em cadeia, que comprometeu o equilíbrio financeiro. Esse quadro reduziu as alternativas disponíveis fora do ambiente judicial.
O levantamento aponta ainda que, ao longo do ano, foram registrados 997 processos formais de recuperação judicial. O dado evidencia que a procura pelo instrumento não ficou restrita a casos isolados, mas se espalhou por diferentes áreas da economia.
Agronegócio enfrenta nova realidade
O desempenho do agronegócio em 2025 ajuda a explicar parte relevante do aumento dos pedidos. O setor, que historicamente sustenta uma parcela importante da economia brasileira, passou por um período de maior instabilidade.
Fatores climáticos adversos, oscilações nos preços internacionais e aumento dos custos de produção afetaram o resultado das empresas ligadas ao campo. Ao mesmo tempo, desafios logísticos e variações cambiais contribuíram para ampliar a incerteza.
Esse conjunto de elementos pressionou margens e reduziu a previsibilidade financeira, levando empresas a recorrerem à recuperação judicial como forma de reorganizar suas contas. O impacto atingiu diferentes etapas da cadeia produtiva, desde produtores até fornecedores de insumos e serviços.
Papel das recuperações judiciais
A recuperação judicial é um instrumento legal que permite às empresas negociar suas dívidas sob supervisão da Justiça. Ao ingressar com o pedido, a companhia obtém proteção temporária contra cobranças, o que cria espaço para reestruturação financeira.
Durante esse processo, é necessário apresentar um plano detalhado de recuperação, com medidas para ajustar a operação, renegociar prazos e garantir a continuidade das atividades. O plano precisa ser aprovado pelos credores e acompanhado pelas autoridades judiciais.
O objetivo é evitar a falência e preservar empregos, além de manter a circulação de bens e serviços na economia. Ainda assim, o aumento expressivo dos pedidos indica que muitas empresas chegaram a um ponto crítico antes de buscar essa alternativa.
Reflexos para a economia
O recorde de recuperações judiciais em 2025 sinaliza um ambiente de negócios mais desafiador. A combinação de juros elevados, crédito restrito e inadimplência criou um cenário de maior risco para empresas de diferentes portes.
Mesmo com a possibilidade de reestruturação, o volume de pedidos mostra que o impacto foi amplo e atingiu setores considerados estratégicos. A evolução desses processos nos próximos períodos será um indicador importante sobre a capacidade de recuperação das empresas e o ritmo da atividade econômica no Brasil.
Fonte: R7
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