A cadeia produtiva da soja e do biodiesel registrou forte expansão em 2025 e consolidou seu peso na economia nacional. Dados divulgados pelo Cepea, da Esalq/USP, em parceria com a Abiove mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) do setor cresceu 11,72% no período, resultado sustentado pela safra recorde de soja, pelo avanço da industrialização e pela ampliação da mistura obrigatória de biodiesel no diesel.
Com o desempenho do ano, o segmento passou a representar 21,6% de todo o PIB do agronegócio brasileiro e 5,4% da economia do país. O crescimento veio após um ciclo marcado pela recuperação da produtividade nas lavouras, especialmente depois das perdas provocadas por eventos climáticos na temporada anterior.
A safra 2024/25 alcançou 171,5 milhões de toneladas, o maior volume já registrado pelo país. O estudo, no entanto, destaca que o principal diferencial econômico esteve no aumento da capacidade de processamento da soja dentro do Brasil, movimento que ampliou a geração de renda, empregos e atividade industrial.
Industrialização aumenta valor gerado pela soja
Segundo os pesquisadores do Cepea, transformar a soja em produtos derivados gera impacto econômico muito maior do que exportar o grão sem processamento. O levantamento aponta que cada tonelada processada pela indústria nacional gera R$ 7.608 em PIB, valor 4,09 vezes superior ao registrado na exportação da soja in natura, que movimenta R$ 1.862 por tonelada.
A pesquisadora Nicole Rennó afirmou que o processamento permite prolongar os efeitos econômicos da cadeia produtiva.
“Quando a soja é exportada diretamente, a geração de PIB para ali. Quando ela é direcionada para processamento, há continuidade da geração de renda e atividade econômica na indústria e nos serviços”, disse durante coletiva virtual realizada nesta quinta-feira (7).
O avanço do processamento interno foi impulsionado principalmente pela expansão do biodiesel, pelo consumo recorde de farelo de soja e pelo crescimento das atividades ligadas à logística e aos serviços do agronegócio.
Biodiesel ganha espaço e impulsiona demanda
O setor de biodiesel teve crescimento de 8,51% no PIB em 2025. O resultado foi estimulado pela elevação da mistura obrigatória do combustível renovável ao diesel convencional, que passou de 14% para 15% em agosto.
A mudança aumentou a demanda por óleo de soja, principal matéria-prima utilizada na fabricação de biodiesel no Brasil. Ao mesmo tempo, o mercado interno de farelo de soja manteve ritmo acelerado para abastecer a produção de carnes, especialmente os segmentos de avicultura e pecuária.
Os serviços ligados ao agronegócio também acompanharam o crescimento da cadeia. Transporte, armazenagem, comércio e logística avançaram 9,4% no ano, refletindo o escoamento da safra recorde e o aumento das exportações.
Para os pesquisadores, o desempenho reforça a importância da industrialização para ampliar os efeitos econômicos da produção agrícola.
Cadeia amplia empregos, mas mecanização reduz vagas no campo
A cadeia produtiva da soja e do biodiesel encerrou 2025 com 2,39 milhões de trabalhadores, alta de 5,52% em relação ao ano anterior. O crescimento foi puxado principalmente pelos agrosserviços e pela indústria de biodiesel.
No segmento de serviços, o número de vagas aumentou 9,91%, impulsionado pelo maior volume transportado e pela expansão da atividade econômica associada ao setor.
Em contrapartida, o emprego no campo apresentou queda de 6,86%. O Cepea avalia que a retração não representa perda de competitividade, mas reflete o perfil altamente mecanizado da produção de soja no Brasil.
Estados como Mato Grosso conseguem elevar a produção sem necessidade proporcional de contratação de mão de obra rural. Além disso, problemas climáticos registrados em regiões produtoras, como o Rio Grande do Sul, influenciaram o saldo final das ocupações agrícolas.
Os dados também mostram que a industrialização da soja tem impacto maior na geração de trabalho. A soja processada gera 4,26 vezes mais empregos por mil toneladas do que a exportação do grão bruto.
Exportações seguem fortes apesar da pressão nos preços
Mesmo com crescimento da atividade econômica, a renda real da cadeia teve recuo de 0,55% em 2025. O resultado foi influenciado pela queda dos preços internacionais da soja e de seus derivados.
A ampla oferta global pressionou as cotações médias das exportações, que registraram redução de 8,54% ao longo do ano. Ainda assim, o Brasil alcançou novo recorde de embarques.
As exportações da cadeia somaram 133,72 milhões de toneladas e geraram receita de US$ 53,46 bilhões. A China permaneceu como principal destino da soja brasileira.
O estudo também apontou crescimento das vendas para outros mercados relevantes. Os embarques para a Índia aumentaram 20,35%, enquanto as exportações destinadas à União Europeia cresceram 7,62%.
O desempenho confirma a posição estratégica da soja e do biodiesel dentro da economia brasileira, especialmente em um cenário de expansão da demanda global por proteína animal e combustíveis renováveis.
Fonte: Itatiaia
Foto: https://www.magnific.com/br/imagem-ia-gratis/homem-africano-colhendo-legumes_186563376.htm




