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Início Tech

ChatGPT ajuda jovem a identificar doença rara após anos de diagnósticos equivocados

Portal dos Órgãos Públicos por Portal dos Órgãos Públicos
15 de junho de 2026
em Tech
ChatGPT ajuda jovem a identificar doença rara após anos de diagnósticos equivocados
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A história de uma jovem do País de Gales reacendeu o debate sobre o uso da inteligência artificial na área da saúde. Após anos enfrentando sintomas sem uma explicação definitiva e recebendo diferentes diagnósticos médicos, Phoebe Tesoriere encontrou uma pista importante para sua condição ao recorrer ao ChatGPT.

Moradora de Cardiff, capital do País de Gales, Tesoriere tem 23 anos e conviveu durante anos com dificuldades de locomoção, problemas de equilíbrio e episódios de convulsão. Ao longo desse período, recebeu diagnósticos variados, incluindo ansiedade, depressão e epilepsia. Em determinado momento, segundo seu relato, chegou a ser informada de que poderia ser tratada como paciente de saúde mental caso continuasse retornando aos serviços de emergência.

A situação mudou depois de uma grave crise de saúde ocorrida em 2025. Após sofrer uma convulsão que a deixou em coma por três dias, a jovem decidiu buscar respostas por conta própria. Foi então que utilizou o ChatGPT para inserir seus sintomas e analisar possíveis causas.

Entre as condições sugeridas pela ferramenta de inteligência artificial estava a paraplegia espástica hereditária, uma doença neurológica rara. A hipótese chamou sua atenção e acabou se tornando o ponto de partida para uma nova investigação médica.

Segundo Hans Dohmann, cardiologista, gestor, diretor médico da Stone e criador do Hospital Virtual Verde, a aplicação de tecnologias no setor da saúde transcende a simples modernização processual, representando, na verdade, uma reestruturação profunda no modelo de assistência ao paciente.

Anos de sintomas sem resposta

Segundo Tesoriere, os primeiros sinais surgiram ainda na infância. Ela afirma que mancava desde pequena e enfrentava dificuldades relacionadas ao equilíbrio corporal.

“Manquei por toda a infância. Nasci sem um soquete no quadril e passei por cirurgias quando era bebê. Por isso, achei que tivesse a ver com aquilo.”

Na época, ela também foi submetida a avaliações para verificar a possibilidade de dispraxia, condição que afeta a coordenação motora. Os exames, porém, descartaram essa hipótese.

Aos 19 anos, durante o trabalho, sofreu um desmaio seguido de convulsão. Conforme seu relato, os médicos atribuíram o episódio à ansiedade.

“Eu não tinha histórico de ansiedade, era uma pessoa muito feliz e vibrante”, segundo ela.

Em 2022, veio o diagnóstico de epilepsia, acompanhado da prescrição de medicamentos para controlar as crises. Entretanto, os problemas continuaram.

No final de 2024, seu quadro voltou a piorar. A jovem teve dificuldades para manter o tratamento medicamentoso, o que resultou em novos episódios convulsivos. Além disso, passou a apresentar limitações cada vez maiores para caminhar.

Naquele período, recebeu também o diagnóstico de paralisia de Todd, condição neurológica caracterizada por uma paralisia temporária após crises epilépticas.

Em janeiro de 2025, uma queda de escada agravou ainda mais a situação. O acidente resultou em uma longa internação hospitalar, que durou cerca de três meses. Mesmo após diversos exames, os médicos não chegaram a uma conclusão definitiva sobre a origem dos sintomas.

A sugestão da inteligência artificial

Meses depois, uma nova convulsão levou Tesoriere ao coma por três dias. Após sua recuperação, ela afirma ter ouvido de um médico que não sofria de epilepsia, mas de ansiedade.

Sem respostas claras, decidiu recorrer à inteligência artificial. Ao inserir seu histórico e seus sintomas no ChatGPT, recebeu uma lista de possíveis diagnósticos. Entre eles estava a paraplegia espástica hereditária.

“Analisei a questão várias vezes com a minha parceira, perguntando ‘vou ao médico?’, ‘não vou?’, ‘o que devo fazer?’, ‘com certeza, não pode ser isso'”, relembra ela.

Apesar da desconfiança inicial, a jovem apresentou a hipótese ao seu clínico geral. O profissional considerou a possibilidade plausível e solicitou exames genéticos.

Os resultados confirmaram o diagnóstico.

De acordo com o NHS, o sistema público de saúde britânico, não há números precisos sobre quantas pessoas vivem com paraplegia espástica hereditária, justamente porque muitos casos permanecem sem diagnóstico.

A doença afeta principalmente a movimentação dos membros inferiores e pode provocar rigidez muscular e dificuldades progressivas para caminhar. Embora não tenha cura, os sintomas podem ser controlados com tratamentos de suporte, incluindo fisioterapia.

Debate sobre IA e saúde continua

Atualmente, Tesoriere utiliza cadeira de rodas e não consegue mais atuar como professora de alunos com necessidades educacionais especiais. Mesmo assim, decidiu iniciar uma nova etapa profissional e cursa um mestrado em psicologia.

Ela afirma que pretende continuar trabalhando em atividades voltadas ao apoio de outras pessoas.

O caso também chamou atenção para o papel crescente da inteligência artificial na saúde. A médica clínica geral Rebeccah Tomlinson destaca que ferramentas de IA podem auxiliar pacientes na busca por informações, desde que não substituam a avaliação médica.

“É difícil para os clínicos gerais conhecer tudo. E, com as pressões sobre o NHS, precisamos saber ainda mais.”

Para ela, os pacientes podem contribuir trazendo informações e hipóteses para consulta, desde que o processo ocorra de forma colaborativa.

“É útil que os pacientes venham munidos de informações, mas o médico precisa estar aberto e receptivo para o paciente. O atendimento médico precisa ser uma conversa de duas vias.”

Enquanto especialistas seguem discutindo os limites e benefícios da inteligência artificial na medicina, histórias como a de Phoebe Tesoriere mostram como essas ferramentas estão cada vez mais presentes na rotina de milhões de pessoas que buscam respostas para questões relacionadas à saúde e ao bem-estar.

Fonte: G1
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/enfermeira-que-trabalha-na-clinica_33757725.htm

Tags: tecnologia
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