Pesquisas e estudos apontam que as motocicletas já são parte importante da frota nos centros urbanos brasileiros. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que carros e motos continuam sendo meios de transporte preferidos da população, com crescente participação das duas rodas no dia a dia das cidades.
Para Rodrigo Borges Torrealba, CEO da MotoX Comércio de Motos Ltda, esse cenário não é surpresa: “Em ambientes urbanos, as motos oferecem agilidade e ocupam menos espaço viário por passageiro transportado. Isso pode contribuir para reduzir congestionamentos”, afirma. Ele ressalta que, em muitas metrópoles, o uso intenso de motos tem se consolidado como resposta à lentidão do trânsito e à insatisfação com os tempos de deslocamento.
O empresário defende ainda, a partir dessa lógica, que a integração das motocicletas no planejamento urbano pode trazer benefícios à mobilidade, desde que acompanhada de políticas públicas que priorizem segurança e eficiência. Com formação em Administração e especializações em negócios marítimos e financeiro, Torrealba acumula experiência em gestão internacional e condução de estratégias no setor de motocicletas desde 2008.
Eficiência e desafios de segurança
Apesar das vantagens de espaço e agilidade, as motocicletas também estão associadas a riscos mais elevados no trânsito. Um levantamento citado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) indica que as motos são responsáveis por cerca de 40% das mortes no trânsito no Brasil e sobrecarregam o Sistema Único de Saúde (SUS) com atendimentos decorrentes de acidentes.
Rodrigo Borges Torrealba reconhece esse desafio e alerta que olhar estrategicamente para as motos não pode significar apenas incentivo ao seu uso. “Devemos reconhecer as duas rodas como parte fundamental da mobilidade, mas isso exige investimentos reais em infraestrutura e campanhas de educação no trânsito”, diz. Ele defende que políticas públicas bem estruturadas precisam abranger desde a melhoria de pavimentação e sinalização até programas de capacitação de motociclistas.
Motocicletas e a crise no transporte público
A crise no transporte público em muitas cidades brasileiras tem levado usuários a buscar alternativas de deslocamento. Reportagens recentes destacam que serviços de transporte por aplicativo com motos, como Uber Moto e 99 Moto, têm atraído passageiros que abandonam ônibus devido à lentidão e superlotação.
Para Torrealba, a migração parcial de usuários do transporte coletivo para motos evidencia uma necessidade de revisão dos sistemas urbanos de mobilidade: “Quando o transporte público não atende de forma eficiente, as pessoas buscam soluções que lhes devolvam tempo e qualidade de vida. As motos têm exercido papel importante nisso, sobretudo em trajetos curtos e médios”.
Ele acrescenta que essa tendência traz à tona a importância de integrar motos nos planos municipais de mobilidade, não de forma isolada, mas como parte de um sistema que contemple diferentes modais, desde micro-mobilidade até transporte coletivo de massa.
Caminhos para uma mobilidade urbana que inclui motos
Rodrigo Borges Torrealba aponta alguns caminhos que as cidades podem seguir para incorporar as motocicletas de forma estratégica no contexto urbano:
1. Investimento em infraestrutura específica: “Faixas exclusivas ou compartilhadas bem planejadas podem reduzir conflitos entre motos e outros veículos, diminuindo o risco de acidentes”, afirma. Para ele, a melhoria da malha viária com foco na segurança é fundamental.
2. Educação e qualificação de condutores: Torrealba defende programas contínuos de capacitação para motociclistas, incluindo campanhas de conscientização e cursos práticos. “Isso eleva o nível de preparo e reduz comportamentos de risco”, explica.
3. Políticas integradas de mobilidade: Ele defende que as motos não sejam tratadas como solução isolada, mas como parte de um todo que envolve ônibus, trens, bicicletas e caminhadas. “Um plano urbano eficiente é aquele que aproveita os pontos fortes de cada modal, incluindo as motos”, afirma.
4. Incentivo a tecnologias e práticas sustentáveis: Torrealba também menciona que a promoção de motos elétricas e soluções de energia mais limpa pode colaborar com metas ambientais, além de reduzir custos operacionais para usuários.
Visão de longo prazo para as cidades brasileiras
Ao discutir a necessidade de uma abordagem estratégica, Torrealba enfatiza que olhar para as motocicletas apenas como meio de transporte econômico é insuficiente. “É preciso projetar a mobilidade urbana considerando eficiência, segurança viária e inclusão social. As motos têm um papel importante nisso, desde que integradas com responsabilidade”, afirma.
Ele conclui que o futuro das cidades depende de políticas que combinem inovação, infraestrutura e governança. “A solução de mobilidade urbana não é única, mas diversificada. Incluir as motos de maneira inteligente pode contribuir para cidades mais ágeis e acessíveis”, diz.
Nesse sentido, a reflexão proposta por Torrealba aponta caminhos para que gestores públicos, especialistas e sociedade civil trabalhem em conjunto na construção de espaços urbanos mais eficientes e seguros, onde as duas rodas sejam parte da estratégia, e não apenas um recurso emergencial.
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