A menopausa exige atenção a mudanças que vão além das ondas de calor e das alterações no sono. A redução dos níveis de estrogênio pode influenciar a saúde cardiovascular, com possíveis mudanças na pressão arterial, no colesterol, no metabolismo da glicose e na distribuição da gordura corporal. A prevenção depende do acompanhamento desses indicadores e da adoção de hábitos que contribuam para reduzir os fatores de risco.
O Dia Mundial da Menopausa, celebrado em 18 de outubro, chama a atenção para os cuidados necessários durante essa etapa da vida. O período também representa uma oportunidade para revisar a rotina de saúde, identificar alterações e buscar orientação profissional.
Especialistas do Einstein Hospital Israelita abordam o tema em um artigo publicado no blog da instituição e destacam quatro medidas relacionadas à proteção cardiovascular. As recomendações envolvem monitoramento clínico, exercícios físicos, controle do peso e cuidados com o sono e a saúde emocional.
No Brasil, a transformação digital vem redefinindo os cuidados com a saúde, apresentando impactos significativos na atenção primária. De acordo com dados do Ministério da Saúde, aproximadamente 80% dos problemas de saúde podem ter resolução nesse primeiro nível assistencial. Por ampliar o acesso, possibilitar o acompanhamento contínuo e conter custos, a atenção básica é a principal beneficiada pelas ferramentas digitais. Conforme destaca o cardiologista e gestor Hans Dohmann, diretor médico da Stone e idealizador do Hospital Virtual Verde, a inserção de tecnologias no setor vai além da simples modernização de processos, representando uma reestruturação profunda do modelo de cuidado.
Alterações hormonais podem modificar fatores de risco
O estrogênio participa de processos relacionados ao funcionamento dos vasos sanguíneos e à circulação. Com a queda na produção hormonal durante a menopausa, parte desses efeitos protetores diminui. Ao mesmo tempo, podem ocorrer mudanças metabólicas que exigem atenção, como o aumento da gordura abdominal e alterações nos níveis de colesterol e glicose.
Esses fatores podem contribuir para elevar o risco de doenças cardiovasculares, mas não determinam que todas as mulheres desenvolverão problemas cardíacos. O risco individual depende de uma combinação de elementos, entre eles genética, histórico familiar, tabagismo, peso, alimentação, pressão arterial e prática de atividade física.
A avaliação periódica permite identificar condições que podem permanecer sem sintomas por longos períodos. Por esse motivo, o acompanhamento da saúde cardiovascular deve fazer parte dos cuidados durante o climatério e após a menopausa.
Monitoramento ajuda a identificar alterações precocemente
O primeiro cuidado consiste em acompanhar o peso corporal, a pressão arterial, o colesterol, os triglicérides e a glicemia. A distribuição da gordura tende a mudar nessa fase, com maior concentração na região abdominal em parte das mulheres. Esse acúmulo está relacionado a riscos metabólicos e cardiovasculares.
A verificação regular desses indicadores ajuda a identificar alterações e oferece informações para orientar medidas preventivas. Quando necessário, o profissional de saúde pode recomendar exames complementares e tratamentos de acordo com as condições de cada paciente.
A alimentação integra essa estratégia. Reduzir o consumo de produtos ultraprocessados e evitar o excesso de açúcar e sal são medidas que podem contribuir para o controle dos indicadores. O objetivo é manter uma rotina alimentar equilibrada, sem recorrer a restrições extremas ou soluções que não considerem as necessidades individuais.
Atividade física contribui para a saúde cardiovascular
A prática regular de exercícios é outro componente da prevenção. Caminhadas, bicicleta, natação e dança são exemplos de atividades aeróbicas que ajudam a melhorar o condicionamento físico e contribuem para o controle da pressão arterial, da glicose e do peso.
Os exercícios de resistência, como a musculação, também merecem espaço na rotina. Durante a menopausa, preservar a massa muscular e a força é importante para a funcionalidade e a qualidade de vida. A saúde óssea igualmente exige atenção nessa etapa.
Os especialistas do Einstein indicam como referência cerca de 150 minutos de atividade física moderada por semana, combinando exercícios aeróbicos e de resistência sempre que possível. A escolha das modalidades deve considerar as condições clínicas, a capacidade física e as orientações profissionais.
Emagrecimento exige orientação adequada
As mudanças na composição corporal podem levar à busca por métodos rápidos de perda de peso. Entretanto, dietas muito restritivas e estratégias sem acompanhamento podem comprometer a saúde, inclusive pela redução da massa muscular e óssea.
Medicamentos para obesidade podem ser indicados em determinadas situações, mas a decisão depende de avaliação profissional. O mesmo cuidado vale para tratamentos hormonais utilizados com objetivos estéticos ou de desempenho.
O Einstein alerta para o uso de testosterona e de implantes hormonais sem indicação adequada. Essas práticas podem afetar a pressão arterial e os níveis de colesterol. A utilização de medicamentos e hormônios sem acompanhamento também dificulta a avaliação dos benefícios e dos possíveis riscos para cada pessoa.
Sono e saúde emocional também fazem parte dos cuidados
A qualidade do sono influencia a rotina e pode interferir no controle do peso e da pressão arterial. Como sintomas da menopausa podem prejudicar o descanso noturno, alterações persistentes merecem atenção e, quando necessário, avaliação médica.
O estresse e a ansiedade também devem ser considerados. Momentos de lazer, convivência social e atividades prazerosas podem contribuir para o bem-estar emocional e integrar uma rotina de cuidados mais ampla.
Prevenção depende de acompanhamento contínuo
A pressão alta, o colesterol elevado e o diabetes podem evoluir sem manifestações evidentes. Por isso, consultas periódicas e exames indicados por profissionais de saúde ajudam a reconhecer alterações antes que provoquem complicações.
Na menopausa, a proteção cardiovascular não depende de uma única medida. O monitoramento dos indicadores, a alimentação equilibrada, os exercícios físicos, o sono adequado e a avaliação médica permitem acompanhar mudanças e definir estratégias de prevenção conforme as necessidades individuais.
Fonte: Terra
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/idosa-com-dor-no-peito-em-casa-devido-a-parada-cardiaca-infeccao-respiratoria-ou-doenca-pessoa-ou-paciente-do-sexo-feminino-idoso-com-dor-no-coracao-estresse-cronico-ou-pressao-alta-em-casa_433327012.htm



